Em 5 anos não precisaremos mais de WiFi.

A chegada do espectro 5G permitirá, em breve, a expansão da cobertura em áreas abrangentes, permitindo que condomínios, fazendas, municípios e grandes empresas criem suas próprias redes privadas. A conveniência destas redes levará as operadoras de telefonia a fornecerem conexões deste espectro principalmente para dispositivos de IoT. Isto valerá para componentes de maior valor, tais como, dispositivos médicos e equipamentos de uso externo.

Fernando Ubatuba, CEO da Plataforma PLATIS, uma empresa que fornece componentes de IoT para prédios e condomínios, com muita experiência no desenvolvimento de produtos conectados, diz que mais da metade dos dispositivos de IoT em Nuvem que hoje utilizam conexões cabeadas estão ao alcance de redes sem-fio baseadas no espectro 5G.

Além dos módulos de comunicação sem-fio serem mais fáceis de configurar, os clientes poderão controlar melhor a qualidade e o consumo da banda fornecida.

Os dispositivos WiFi são notoriamente difíceis de serem conectados uns aos outros. Para se estabelecer uma conexão de um produto em uma rede WiFi doméstica, os clientes geralmente precisam emparelha-los com um ponto de acesso baseado em software, antes de trazer o dispositivo para o seu domínio. Este processo pode estar sujeito a falhas: mesmo um técnico com experiência em centenas de dispositivos conectados não consegue colocar um dispositivo em rede na primeira tentativa.

Para facilitar este trabalho empresas como a Amazon e o Google criaram processos de integração proprietários que lidam com a configuração em nome do usuário, de modo que, quando os clientes ligam seus dispositivos, eles tentam automaticamente se conectar à rede. No entanto, para que isto se universalize, os fabricantes de dispositivos precisam implementar os componentes da Amazon e do Google separadamente, e isso requer um conhecimento que algumas empresas não possuem.

No entanto, a Amazon, a Apple e o Google estão trabalhando em um padrão de Smart Home que poderá simplificar as coisas. Detalhes desta padronização são ainda escassos e qualquer solução que eles desenvolverem somente estará disponível após 2022, no mínimo.

Quando você se depara com vários ecossistemas de WiFi, o 5G não será apenas mais fácil de instalar e operar, diz Fernando. Estas redes terão custos gradualmente reduzidos, até se tornarem muito baratas com o tempo.

Esta visão antecipa um futuro em que condominios, fazendas, empresas e municípios montarão suas próprias redes 5G usando o espectro obtido por meio de novos leilões, tais quais os desdobramentos dos leilões em curso da ANATEL.

Os fabricantes de celulares já estão construindo equipamentos e testando estas redes privadas em fábricas e escritórios. Se novos planos de roaming forem desenvolvidos para permitir que os dispositivos acessem estas redes locais com facilidade, semelhante a entrar em um ponto de acesso WiFi, a conectividade 5G se tornará praticamente gratuita se valorarmos por unidade conectada.

Mesmo que esta visão não aconteça nos próximos 5 anos, os custos de contratos de celular com baixa taxa de dados continuarão a cair, e isso ainda poderá acabar por colocar o último prego no caixão do WiFi.

Fernando Ubatuba acrescenta: “Acho que há muitas razões para acreditar que o WiFi nunca desaparecerá completamente, mas estou certo de que redes baseadas em 5G tomarão o seu lugar em nossas vidas.”

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